#Ex-Muçulmanos porque

O texto de Ali A. Rizvi (24-11-2015). Tradução e adaptação: Khadija Kafir (29-11-2015) Link para o original.

Onde estão os liberais secularistas no mundo islâmico?

Eu perdi a conta de quantas vezes ouvi essa pergunta. A resposta é tanto surpreendente quanto desoladora. Nos países de maioria muçulmana, eles são frequentemente açoitados e aprisionados por ter blogs, hackeados até a morte em plena luz do dia, ou sentenciados a morte por escrever poemas. Aqui no Ocidente, eles são frequentemente desonrados pelas suas próprias famílias, segregados de suas comunidades, e até assassinados pelas suas próprias famílias em “assassinatos em nome da honra”.

Quanto àqueles que escolhem deixar a religião, o que vem depois é ainda mais sinistro. Há treze países, todos de maioria muçulmana, onde o ateísmo é punível com a morte. E na Arábia Saudita – o lugar que deu origem ao islã, a seu profeta, e onde há os dois lugares mais sagrados, Meca e Medina – declarou que todos os ateus são terroristas. Lembre-se, este é o país não apenas de Osama bin Laden, mas de quinze dos dezenove sequestradores do 11 de setembro.

Quando mudar de pensamento vem com um preço tão alto, não é de se surpreender que você não escute muita coisa vinda de secularistas, ateus e agnósticos no mundo islâmico.

Mas na última terça (17 de novembro), isso mudou. O Conselho dos Ex-Muçulmanos da Grã-Bretanha, de Maryam Namazie (Irã), começou uma campanha na semana passada encorajando os dissidentes ao redor do mundo a aparecer e dizer por que eles deixaram o islã.

A resposta foi tremenda. Nesta sexta feira pela manhã, a hashtag #ExMuculmanoPorque foi a hashtag mais popular no Reino Unido. Nós ouvimos gays sauditas, mulheres que foram forçadas a se casarem, ateus “dentro do armário” no Egito e no Paquistão tweetando usando pseudônimos, mulheres jovens deserdadas pelas próprias famílias nos EUA e mais.

Eu compilei alguns dos tweets mais populares abaixo. Alguns vem de forma racional, e outros são zangados, o que é compreensível se você pensar na barra que passam muitos ex-muçulmanos. Há também os tweets dos muçulmanos que não são muito amigáveis, bem como daqueles que foram apoiadores. O que você vai ver abaixo é o que nunca se escuta, o terceiro lado da conversa internacional que temos testemunhado desde os ataques de Paris – uma conversa que representa uma alternativa de pensamento que só aumenta e que está se desenvolvendo no mundo islâmico, onde o ateísmo está crescendo.

Alguns tópicos para se ter em mente antes de ler:

1- Por fazer parte de uma família ou comunidade muçulmana, o ex-muçulmano não apenas recebe o mesmo tratamento intolerante que os muçulmanos recebem (no Ocidente), mas são também perseguidos pelos próprios muçulmanos, que os consideram heréticos e apóstatas.

2- Os ex-muçulmanos frequentemente se encontram entre os intolerantes de extrema direita, que demoniza todos os muçulmanos; e o apologismo da extrema esquerda, que relega qualquer crítica legítima contra o islã como “islamofobia”. Criticar o islã e demonizar os muçulmanos como pessoas são duas coisas completamente diferentes.

Aqui estão alguns dos tweets:

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Alguns muçulmanos não gostaram da campanha:

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Outros deram muito apoio:

os apoiadores

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Alguns não muçulmanos que deixaram suas religiões mostraram solidariedade:

ultima de verdade

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headshotSobre o autor: Ali A. Rizvi é um ex-muçulmano nascido no Paquistão e que mora em Toronto (Canadá). Ele é médico e músico; e está escrevendo seu primeiro livro que se chama The Atheist Muslim: Losing My Religion but Not My Identity (O muçulmano ateu: deixando minha religião mas não a minha identidade).

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1 Resultado

  1. Le disse:

    Essa página me trouxe esperança no mundo.

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