Maomé, o inimigo da novidade

Por Ayaan Hirsi Ali

 

O texto a seguir é a transcrição do vídeo mostrado acima.

No início, parece que a ambição de Maomé era simplesmente ir de porta em porta, de pessoa em pessoa e dizer: “deixe pra lá o que você acredita. Acredite no único deus, aquele que falou comigo pelo anjo Jibriel – assim se diz em Árabe. E Gabriel, em Português. E daí ele exorta as pessoas a fazer certas coisas que no século 21 entendemos como religião: orações, jejuns, congregações, esse tipo de coisa. Isso nos primeiros dez anos em Meca (cidade), que eu diria, foram na maior parte pacíficos. Esse Maomé, no jeito moderno de falar, não sei se vocês conhecem “O Médico e o Monstro” (romance). Mas podem fazer comparação dele com “o médico”. Daí ele vai a Medina (outra cidade) e o lado monstro de Maomé aparece.  De repente ele tem uma milícia. E agora ele é um político. Ele não está apenas pregando “por favor venha” para o único Deus, ele está exigindo “venha para o Deus único e me aceite como único profeta e se não aceitar eu declaro guerra”.

E ele declara guerra. E com uma milícia relativamente pequena -pelo menos de acordo com a percepção islâmica – é como dizem os documentos islâmicos, Maomé, como uma milícia relativamente pequena, um número pequeno de homens, ele derrota um exército muito maior e mais bem estabelecido. E essa vitória leva a uma outra vitória, que leva a outra vitória, e a outra… Mas também leva à complexidade, porque quanto mais ele ganha poder, ele tem controle sobre mais pessoas, e isso leva a necessidade de legislação.

Fazendo uma introspectiva, se você está no século 21, se você for um cientista político, um sociólogo, um psicólogo, um historiador, qualquer tipo de cientista social, você olha para trás no tempo e lê aquela narrativa, você vai ficar impressionado. Vai dizer: “meu deus, este homem foi o maioral! Ele derrotou exércitos maiores, estabeleceu um império, ele legislou, ele os manteve juntos e deixou um legado que durou muitos séculos além de seu nascimento”. Maravilha! Claro. Eu não duvido disso. Mas… o que fez também foi congelar sua inovação no lugar, ele foi o último profeta. Ninguém podia vir e inovar o que ele disse. De fato, ele declara a inovação o maior pecado que um crente poderia cometer, sendo assim o destino dos hereges do Islã. Então se você comparar Maomé como Steve Jobs do século 7, eu quero que você imagine um Steve Jobs que deixa um legado onde ele diz: “Você nunca pode e nunca deve mudar”… no minuto em que ele se encontra no leito de morte, ele diz: “Nunca mude a forma do iPhone ou a forma do iPad”. Esqueci em que condições essas coisas foram feitas, de maneira que Tim Cook jamais teria. Ele só teria que fazer uma coisa, continuar, e dizer que essas coisas são eternas.

E foi isso que Maomé fez. O Alcorão é um documento eterno. Seus exemplos permanecem congelados no tempo. E eu acho que isso foi um mal serviço, que Maomé fez com sua própria inovação. Seu grande feito foi que ele conseguiu, isso se a narrativa for verdadeira, e repito que é uma narrativa em contexto, mas se tal narrativa for verdadeira, sua grande inovação foi unificar os árabes, fazê-los transcender a si mesmos, uni-los em uma super tribo, e conquistar!

Mas daí o maior erro que ele cometeu foi congelar as coisas no tempo e essa é a maldição do Islã. Este… este… o fato de que a inovação é pecado, a inovação é ruim. O pensamento, eles fecharam as portas para a razão. Essa é a desgraça, é o “firewall” para o pensamento islâmico, e… e o resultado podemos ver na vida diária.

Mais uma vez eu repito: é uma percepção das pessoas, colocar essas crenças em prática. O que realmente aconteceu é ainda objeto de estudo.

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